10 de setembro de 2008

Maior tesouro

Ela não queria nenhuma. O que dizer de duas! E quase ao mesmo tempo?!

Tava tudo muito bom quando era sozinha. Todos a paparicavam, a avó materna e as tias mais jovens que moravam em frente sua casa, eram só dela e os pais a enchiam de mimo e brinquedos.

Ela tinha cinco anos quando de repente, chegou a primeira. Branquinha, cabelinho amarelinho, rosadinha, com covinhas que todos diziam ter vontade de morder. Pronto! Seu reinado estava ruindo.

Bom, ela pensou, o que fazer com aquela intrusa? Derrubar ela do sofá na primeira oportunidade. Ela se arrepende disso até hoje. Primeiro, pelo tamanho da surra que levou e segundo, porque logo conseguiu entender que podia ter machucado a bonequinha.

Aí, sete meses depois, quando ela já tinha se acostumado com a idéia, veio a bomba! Tinha outra a caminho.

O mundo desabou sobre a cabecinha dela. Duas? Duma vez? Essa não...

Nove meses depois, chegou a outra. Moreninha, com seus olhinhos de jabuticaba, tão linda quanto a outra, ajudara a derrubá-la do trono de vez.

Foi se acostumando com a idéia aos poucos, muuuito aos poucos. Escondia os brinquedos antes de ir à escola e até hoje lembra que quis morrer quando um dia chegou da escola e encontrou sua única Barbie, praticamente careca e com as pernas quebradas.

Outras vezes tinha vontade de matá-las, quando liam sua agenda e a ameaçavam contar pra sua mãe que ela gostava do menino da rua de baixo, caso não fizesse o que elas queriam. Chantagistas!!!

Muita briga rolou, nossa!!! Mesmo assim, as três não se desgrudavam. Adoravam irritar a mãe com ataques de riso na hora do jantar ou correr com pai pela casa, num tipo de pega-pega que inventaram que chamavam de "passo". A mãe quase enlouquecia.

Ela, enfim, aceitou o fato de que eram três. Ela a mais velha, que deveria cuidar das menores, dar banho quando a mãe não estava em casa, ajudar com a lição de casa...

Já nem se importava de aos 13 anos, mesmo com o sarro que as amigas tiravam, ainda brincar de casinha com as pequenas.

O tempo passou e um dia ela foi embora. Teria sua própria casa, suas coisas, teria seu mundinho novamente.

Foi um tempo, como se cada uma tivesse tomado seu rumo na vida. Mas a vida tratou de uní-las novamente.

Têm lá suas diferenças, uma sempre acaba tendo mais afinidade com outra e assim por diante, mas se amam incondicionalmente.

São capazes de matar ou morrer umas pelas outras, estão sempre unidas, na alegria e na tristeza.

E finalmente, ela chegou à seguinte conclusão que: irmãs, são o maior tesouro que alguém pode ter.

5 comentários:

Dani disse...

Poderia contar mais algumas cacas de quando:

- Derrubamos a Clau da rede e ela detonou a cabeça no prego...

- Ou quando eu estava operada da hérnia e vocês me abandonavam na rede lá de fora, sem poder andar, passando sede...

Nossa vida é maravilhosa.

AMO VOCÊ!!!

Isa disse...

Se formos contar tudo, nossa!!! Dá uma enciclopédia...rsrs...
Eu tb te amo, muito!!!
bjus

Emília disse...

Maravilhoso, este seu texto, Isa. Vou recomendá-lo vivamente para as minhas duas filhas! ;D
Eu, triste filha única, sempre tive uma pena imensa por não ter irmãs.

Isa disse...

Emilia

Que bom que gostou. Tenho um pouco de pena da minha filhota que tb não tem irmãos, mas acho que a presença de primas poderão superar essa falta.

bjus

somebody disse...
Este comentário foi removido por um administrador do blog.